28 de novembro de 2017

Bispo propõe campanha contra deputados que votarem a favor da Reforma da Previdência

Proteção social sem lógica mercantil

Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

O projeto de Reforma da Previdência Social será votado na Câmara dos Deputados tão logo se concluam as negociações do executivo com o legislativo, na forma de “compra de votos” por meio de cargos e emendas parlamentares. Este projeto reduz direitos constitucionais e ameaça a vida de milhões de brasileiros, de modo especial os socialmente vulneráveis.

A Constituição de 1988, ainda em vigor, assegurou um sistema avançado de proteção social, conquistado a duras penas pela classe trabalhadora no bojo das lutas pela redemocratização do Brasil. A classe dominante jamais aceitou esse e outros avanços que, em última instância, apenas asseguram as bases para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e justa.

O congelamento por 20 anos dos gastos com programas sociais e a recente reforma trabalhista ferem gravemente nossa “Constituição Cidadã”. Agora, a Proposta de Emenda Constitucional 287, que reforma a Previdência Social, se for aprovada, dificultará o acesso à aposentadoria de milhões de trabalhadores, especialmente rurais, reduzirá drasticamente o acesso ao Benefício de Prestação Continuada, que é o benefício assistencial ao idoso e à pessoa com deficiência, e cortará pela metade as pensões de viúvas e viúvos.

Os argumentos utilizados para essa reforma previdenciária são enganadores. O déficit alegado é falso. Essa constatação foi feita pela própria Comissão Parlamentar de Inquérito, constatando que a Previdência Social é, na realidade superavitária. Causa espanto um dos argumentos utilizados pelo Presidente da República para essa reforma, que o brasileiro daqui a pouco viverá 140 anos.

Nossa Lei Magna está sendo, assim, mutilada. Em consequência, os pobres, já crucificados, estão sendo ainda mais sacrificados com o desmonte descarado do sistema de proteção social. Instaura-se a barbárie. Perde-se a civilidade. O governo de plantão quer que o Estado adote a política de Pilatos. Este “lavou as mãos” na condenação de Jesus. Trata-se da política do “Estado Mínimo” que se exime de sua responsabilidade de proteger sobretudo os mais desvalidos.

O grau de respeito à dignidade humana de uma nação deve ser também medido por seu sistema de proteção social. A Doutrina Social da Igreja é clara na definição do papel do Estado de salvaguardar os direitos sobretudo dos mais pobres, garantindo, por exemplo, acesso a um sistema de proteção social que não esteja submetido à lógica mercantil. Afinal, proteção social deve ser comprada?

Um sinal muito particular de respeito humano é a proteção às pessoas idosas, a ser garantida, especialmente, por uma aposentadoria justa. Clamam aos céus o desprezo sofrido por elas. O Salmo 79,1 traduz, sabiamente, o clamor do idoso: “Não me rejeites na minha velhice; não me desampares quando forem acabando as minhas forças”. O livro de Levítico 19,32 exorta: “Levante-se diante de uma pessoa de cabelos brancos e honre o ancião...!”

Que tal, então, levantarmo-nos em respeito às pessoas idosas de hoje e de amanhã? Que seja um “levante popular”, evidentemente pacífico. Que tal, por exemplo, distribuirmos ostensivamente, “santinhos” com nomes, fotos e partidos políticos dos legisladores que votarem a favor dessa reforma da previdência, denunciando-os em seus “currais eleitorais”? David venceu Golias com uma simples funda. A força dos fracos está nas ações simples e contundentes.

Jales, 23 de novembro de 2017.


22 de novembro de 2017

Moradores de Piquiá comemoram resultados de manifestação em São Luis


Após um dia inteiro de protesto os moradores de Piquiá de Baixo, encerram a manifestação celebrando a conquista de que as grandes questões relativas ao projeto de reassentamento da comunidade foram resolvidas. Até amanhã 18h foram solucionadas as pequenas pendências formais entre os técnicos da Caixa Econômica Federal - CEF, a terceirizada (Araam) e os arquitetos assessores da comunidade.

Desde já, a CEF dá o projeto por aprovado e se compromete a elaborar os laudos respectivos e enviá-los ao Ministério das Cidades até a próxima segunda-feira, dia 27/11.
A comunidade de Piquiá de Baixo se ver cada dia mais perto da realização da construção do novo bairro que receberá o nome de Piquiá da Conquista, nome que define todo esses anos de luta dos moradores.

Em uma nota assinada pelo arcebispo de São Luis e presidente do Regional Nordeste V da CNBB, os bispos do Maranhão manifestaram solidariedade às 320 famílias de Piquiá.
O bispo de Imperatriz Dom Vilsom Basso visita com frequência o povoado e mantém contato permanente com as lideranças do movimento que pede o reassentamento. Foi lá no Piquiá que em outubro a Diocese de Imperatriz celebrou o DNJ - Dia Nacional da Juventude.


Da Assessoria.

Em São Luis moradores de Piquiá de Baixo protestam contra a demora no processo de reassentamento


 Um bairro inteiro da cidade de Açailândia (MA) vive de maneira degradante há três décadas por conta do pólo siderúrgico e industrial que rodeia o bairro causando grande poluição e perigo à saúde. Na manhã desta quarta-feira (22), moradores do Bairro Piquiá de Baixo, de Açailândia (MA), interior do Estado, virão protestar contra a demora no processo de reassentamento na sede da Gerência Habitacional da Caixa em São Luís, que coordena o projeto. Há 30 anos os moradores sofrem com a poluição causada pelo pólo industrial que rodeia o bairro. A demora no processo de reassentamento vem preocupando a população que sofre de doenças de pele e pulmonar pela inalação e absorção de pó de ferro e outras substâncias prejudiciais à saúde humana. Os moradores exigem celeridade, pois aguardam, há quase um ano, pela aprovação do projeto executivo do novo bairro pela Gerência Habitacional da Caixa, em São Luís, que segundo eles, tem colocado diversos entraves, alguns que até contrariam a própria portaria do Ministério das Cidades para o Programa e a legislação urbanística vigente no município de Açailândia (MA). O caso já teve repercussão nacional e internacional, devido à grave violação de direitos humanos, levando inclusive à ONU a interpelar o Estado brasileiro para apresentar uma solução rápida e efetiva para a questão. O caso foi tratado também em audiência da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, em Washington, em outubro de 2015. As denúncias levaram a comunidade a conquistar o terreno, e ter o projeto selecionado para financiamento pelo Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. Desde 2008, após avaliar as possibilidades, os moradores decidiram comunitariamente lutar pelo reassentamento em um local livre de poluição, pois o nível de degradação do local é muito alto, e afeta o solo, vegetação e rios que foram contaminados pelos resíduos vindo das chaminés das siderúrgicas. Uma equipe médica do Istituto dei Tumori de Milão realizou pesquisa avaliando a insuficiência respiratória dos moradores de Piquiá de Baixo por meio de estudos espirométricos e identificou 28% de casos patológicos, enquanto a média dos estudos realizados em outros países varia de 4 a 14% (2016). O Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado do Maranhão estiveram conduzindo uma mesa de negociações visando à efetivação do reassentamento. Essa mesa incluiu as indústrias de ferro gusa (representadas pelo SIFEMA), a Vale S.A., a Prefeitura Municipal de Açailândia e o Governo do Estado do Maranhão, além da Associação de Moradores e das entidades que os apoiam. Entenda o Caso O caso de Piquiá de Baixo é emblemático, recebeu sinais concretos de solidariedade nacional e internacional e, se bem resolvido, poderá se tornar modelo de organização popular capaz de converter os impactos industriais, identificar responsabilidades dos poderes políticos e econômicos e construir modelos de vida e produção realmente sustentáveis e respeitosos das culturas e prioridades locais. No bairro cerca de 1.100 pessoas sofrem cotidianamente com a poluição. O bairro já existia a pelo menos 15 anos da chegada das Siderúrgicas, a partir do final dos anos 80, juntamente com as operações cotidianas de transporte, descarregamento e carregamento de minério de ferro e lingotes de ferro-gusa pela empresa Vale S.A. Desde 2005, a Associação Comunitária dos Moradores do Piquiá (ACMP) tem se mobilizado frente a essas violações e encaminhado denúncias a distintos órgãos a respeito da grave situação decorrente dos altos índices de poluição. Laudos técnicos realizados por profissionais idôneos já atestaram pelo menos desde 2007 a inviabilidade da convivência entre as indústrias e assentamentos humanos naquela localidade. Nos últimos 10 anos, 380 famílias do bairro industrial de Piquiá de Baixo estão lutando contra as empresas poluidoras do polo industrial de Açailândia (MA) que corresponde as siderúrgicas Gusa Nordeste, Viena, Aço Verde Brasil e Cimento Verde Brasil, que juntas lançam substâncias altamente poluentes. Manifestações e protestos, denúncias, processos judiciais, reivindicações para o eficaz monitoramento ambiental por parte do Estado, luta para a instalação de filtros e diminuição dos impactos. 





26 de outubro de 2017

Em nota bispos manifestam indignação com realidade política e social no Brasil

Por meio de nota, divulgada nesta quinta-feira, 26, em coletiva de imprensa na sede provisória da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), a presidência da CNBB manifestou mais uma vez sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo país, que afeta tanto a população quanto as instituições brasileiras. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.
A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.
Da CNBB
Confira, abaixo, a nota na íntegra:
Nota da CNBB sobre o atual momento político
“Aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido” (Is 1,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através de seu Conselho Permanente, reunido em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, manifesta, mais uma vez, sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo País, afetando tanto a população quanto as instituições brasileiras.
Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros. A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave.
A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País.
Apesar de tudo, é preciso vencer a tentação do desânimo. Só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados.
Chamados a “esperar contra toda esperança” (Rm 4,18) e certos de que Deus não nos abandona, contamos com a atuação dos políticos que honram seu mandato, buscando o bem comum.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, anime e encoraje seus filhos e filhas no compromisso de construir um País justo, solidário e fraterno.
Brasília, 26 de outubro de 2017




18 de outubro de 2017

Diocese de Imperatriz construirá memorial dedicado a Padre Josimo


O memorial começou a tomar corpo na noite desta terça-feira, 18, durante reunião realizada na residência episcopal com a presença de representes do Centro de Estudos Bíblicos - Cebi, Centro de Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo, Centro de Defesa da Vida de Açailândia, de pessoas que tiveram um convívio muito próximo com padre Josimo, e com a participação do bispo de Imperatriz Dom Vilsom Basso.
O memorial era um desejo antigo do Cebi e de instituições que a cada ano celebram a memória do padre da Diocese de Tocantinópolis assassinado em Imperatriz no dia 10 de maio de 1986 por defender trabalhadores rurais sem terra.
Na reunião, Dom Vilsom anunciou que a diocese cederá o espaço para o memorial que será construído no Centro Diocesano de Pastoral, na Avenida Dorgival Pinheiro de Sousa no centro, local onde  Josimo Tavares foi atingido a tiros.
Nos próximos meses a equipe responsável pelo memorial fará um trabalho de pesquisa para juntar vídeos, fotos, documentos e todo material que conte a vida, o sacerdócio e o martírio de Josimo.
A previsão da inauguração do memorial é 10 de maio do ano que vem, quando a morte de Josimo completa 32 anos.

Nesta quinta-feira, Dom Vilsom Basso vai ao povoado Sete Barracas zona rural de São Miguel do Tocantins, onde visita dona Raimunda líder camponesa fundadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Côco Babaçu.  Hoje cega e aos 77 anos dona Raimunda foi amiga e conselheira de padre Josimo Morais Tavares.



11 de outubro de 2017

Diocese de Imperatriz escolhe diretoria externa da Fazenda da Esperança Casa do Senhor


A escolha foi realizada em Assembleia  no auditório do Centro Diocesano de Pastoral e contou com a participação de representantes de vários movimentos, do padre Francisco Lima, do Tenente da reserva  Edilson Chaves presidente da diretoria externa da Fazenda da Esperança de Caxias e de Dom Vilsom Basso bispo diocesano que presidiu ao assembleia.
A definição da Diretoria Externa  da Fazenda da Esperança Casa do Senhor foi resultado de uma longa conversa do bispo com vários setores da igreja e de movimentos que apoiam o projeto da diocese que trabalha a recuperação de pessoas dependentes do álcool e das drogas.
A partir de novembro as ações da  Casa do Senhor que atualmente atende quase 60 acolhidos serão coordenadas pela Fazenda da Esperança, um projeto missionário implantado com sucesso em 15 países e que tem como base a convivência familiar, trabalho como processo pedagógico e espiritualidade para encontrar um sentido de vida.
Durante a assembleia desta terça-feira 10,  Dom Vilsom Basso voltou a dizer que aquele que procurar a Fazenda da Esperança não  ficará sem atendimento: “ Para ele basta querer! Será atendido mesmo que não tenha família! Mesmo que não tenha documentação e mesmo que não tenha dinheiro!”
O bispo também explicou que a diretoria eleita ontem vai ajudar a coordenação nacional da Fazenda da Esperança na administração do projeto, e no zelo aos acolhidos. O trabalho  da direção da casa será todo voluntário.
Dom Vilsom anunciou que o escritório da Fazenda da Esperança em Imperatriz funcionará na rua Antônio Miranda no mesmo prédio da Pastoral da Mulher Marginalidade ( no setor da antiga Farra Velha). Apenas um funcionário foi contratado, é ele que ficará incumbido de receber na sede do projeto as demandas e encaminha-las à direção eleita agora.
Veja abaixo como ficou a diretoria Externa da Fazenda da Esperança  Casa do Senhor

DIRETORIA:
Presidente: Mauro Augusto Ornelas
Vice-presidente: José Genivaldo do Nascimento
Tesoureiro: Eduardo Augusto Rodante Fiaschi
Secretária: Marlene Costa Lima                               
Setor de Comunicação: Josafá Ramalho
 Morador da Fazenda da Esperança: Dom Vilsom Basso
 
CONSELHO FISCAL:
 Armando do Ó Loiola
Iva Mara Noleto Martins
 Ângela Sousa Figueiredo
SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL:
Rodenilde Paixão Lima
Ivanete Cabral Pereira Ornelas

Antônio Chaves da Rocha Júnior





3 de outubro de 2017

Católicos do Sebastião Régis escolhem Nossa Senhora Aparecida como padroeira


O Bispo  de Imperatriz Dom Vilsom Basso presidiu na noite desta segunda-feira, 02 a primeira missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida no Sebastião Régis. A padroeira do Brasil foi escolhida pelos moradores para ser também, a padroeira do bairro.
A missa que foi concelebrada pelo padre Antonio José pároco de Santa Inês, paróquia da qual a comunidade faz parte teve ainda a participação de cerca de 200 fiéis.

Durante a homilia dom Vilsom disse que Nossa Senhora é um modelo. Como mulher e mãe se dedicou ao filho e a igreja, e é a protetora dos pobres.

Na primeira noite de festejo o bispo motivou aos fiéis para que  em um curto período de tempo, construir o templo da comunidade. Ainda há o terreno, problema que a comunidade espera resolver logo.

O festejo da comunidade de Nossa Senhora Aparecida no bairro Sebastião Régis se estende até o dia 12 no espaço cultural do ba, e logo após tem a programação artística/cultura e a venda de comidas típicas.

No Sebastião Régis moram duas mil famílias.