30 de agosto de 2008

"Não agüentamos mais!' 'Nós queremos é sair!'

Associação de Moradores do Piquiá *

Fonte - Adital
'Quem vai nos ajudar a sair daqui? Estamos esperando a ajuda do Município, do Estado, de Deus! Nas siderúrgicas ninguém confia mais: nunca se fizeram presentes...`
São algumas das colocações do povo de Piquiá de Baixo, município de Açailândia, MA. Há dois anos e meio, 21 famílias entraram na justiça com ações individuais contra a siderúrgica Gusa Nordeste, pela poluição do ar e da água que as pessoas estão sofrendo.

A Gusa Nordeste é somente uma das 5 siderúrgicas instaladas desde 1988 na região de Piquiá de Baixo, próximas ao pátio de descarregamento de minério da Vale, outra responsável pela poluição do brejo.

Mais de 300 famílias moram no bairro de Piquiá de Baixo, muitas moram no lugar há 30 ou 40 anos, bem antes que as siderúrgicas se instalaram. A luta das 21 famílias, portanto, foi logo assumida por todas as outras que moram nos arredores e que querem envolver na discussão a administração pública, o governo do Estado e as 5 empresas, Gusa Nordeste, Simasa, Pindaré, Viana e Fergumar.


As famílias estão organizadas através de uma associação de moradores, muito ativa, e são assessoradas pela Paróquia São João Batista e o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia.

O povo está coordenando-se, discutindo e avaliando propostas e encaminhamentos, além de acompanhar o processo das 21 famílias, que deverá encerrar-se com uma decisão antes do fim desse ano.

No entanto, o movimento está recolhendo documentação e discutindo com profissionais e instituições de grande credibilidade, no sentido de ampliar o apoio as justas reivindicações de direitos desta comunidade.

Nesse sentido, no dia 23 de agosto de 2008 realizou-se o primeiro seminário 'Piquiá pede socorro', com a participação de mais de 100 pessoas entre moradores e membros de outras comunidades de Açailândia, solidários a essa luta.

O seminário teve a assessoria do biólogo Ulisses Brigato, professor da UEMA de Imperatriz, que meses atrás entregou aos juízes da Comarca de Açailândia um laudo sobre a poluição das siderúrgicas na região. A participação do Promotor de Justiça da Comarca, Dr. Marco Aurélio Fonseca Ramos, reforçou a luta popular na sua busca pelos direitos coletivos e orientou o povo nas muitas perguntas que foram levantadas.

O ciclo de mineração, transporte do ferro, siderurgia, queima do carvão, monocultura e corte dos eucaliptos traz trabalho para nosso povo, mas também poluição, desertificação, urbanização desregulada e, infelizmente, ainda hoje trabalho escravo e desmatamento de árvores nativas.

As siderúrgicas e a Vale estão lucrando muito em cima dos recursos da terra e do povo; a situação de miséria, doença e precariedade de muitas de nossas famílias contrastam com o dinheiro que a cada dia entra no bolso dessas grandes empresas. O descaso para com a população é total.

Mas, a organização popular está crescendo e a pergunta roda: 'Quem é responsável por tudo isso? As siderúrgicas? A Vale? O Município? O Estado? ...O povo?!'


* Paróquia São João Batista. Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia - Maranhão

27 de agosto de 2008

Brasil - Riquezas: Nossas ou deles?

Fonte - Adital
O Pará é o lugar mais importante para a estratégia da Companhia Vale do Rio Doce. Já é hoje e será ainda mais no futuro. Essa importância está presente em todos os discursos. O Estado sabe qual é a parte que lhe cabe nesse bolo? O que lhe caberia se tivesse mais poder sobre essa partilha?
A Companhia Vale do Rio Doce investirá o equivalente a 59 bilhões de dólares (em torno de 100 bilhões de reais) nos próximos cinco anos, dentro e fora do Brasil. Poucas empresas no mundo podem apresentar um plano qüinqüenal desse porte. Como a Vale atua em todos continentes, marcando presença em vários países, o fato de reservar US$ 20 bilhões ao Pará (quase 40% do total) mostra a importância do Estado na estratégia da companhia.


O valor não inclui os US$ 5 bilhões anunciados na semana passada pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, para a implantação de uma usina de aço em Marabá. Se quisesse repetir que a Vale se propõe a fazer em cinco anos, o governo do Estado teria que investir durante 60 anos para chegar ao mesmo valor, o que dá uma medida da relação de forças entre as duas partes em matéria de investimento.

São números tão grandiosos que é difícil dimensioná-los, compreendê-los e interpretá-los. A mesma grandeza que proporciona discursos ufanistas pode dar causa também a constatações melancólicas. Dos US$ 20 bilhões que o Pará receberá da Vale entre 2008 e 2012, exatamente a metade se destina à abertura da mina de Serra Sul, que irá produzir 90 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. Ela tem quase o mesmo porte da mina de Serra Norte, em atividade crescente há quase um quarto de século (e que, em outubro do ano passado, acumulou um bilhão de toneladas extraídas do subsolo paraense).

Quando o primeiro trem de minério saiu de Carajás, o tamanho máximo então previsto para a mineração era de 25 milhões de toneladas. Com Serra Sul e Serra Leste adicionadas à Serra Norte, a expansão será de quase 10 vezes. O trem de minério de Carajás é hoje o maior do planeta. Todos os dias, mais de 200 mil toneladas do minério com qualidade sem igual na Terra são escoados por esse trem; 60% dessa carga se destinam à China e ao Japão, situados a mais de 20 mil quilômetros de distância.

Em 2012, Carajás, sozinha, estará produzindo mais minério de ferro do que os Estados Unidos no pós-guerra. A escala de produção poderá exaurir, em no máximo 150 anos, jazidas que deviam durar 400 anos. A pergunta que se deve fazer diante dessa grandiosidade é: ela realmente interessa ao Pará? O Estado recebe uma compensação compatível com a exaustão do mais rico depósito de minério de ferro que há na crosta terrestre? E a sua forma atual de exploração é o que de melhor os paraenses podem conseguir no processo de transformação da matéria prima?

Para responder a essas perguntas, cada vez mais incômodas, a Vale preparou a grande festa do dia 14, em Barcarena, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da governadora Ana Júlia Carepa e de várias outras autoridades federais e estaduais. O momento de destaque foi o anúncio do projeto da aciaria de Marabá. O presidente da Vale fez questão de destacar que os US$ 5 bilhões exigidos por esse investimento não faziam parte do planejamento qüinqüenal da companhia. Foram a ele adicionados em função das queixas e reivindicações transmitidas nos últimos tempos à Vale pelo presidente e pela governadora.

Finalmente, a Vale se convenceu da função colonial que desempenha no Pará e decidiu corrigi-la? A empresa diz que não irá mais exportar apenas produtos primários (como os minérios) e insumos básicos (como alumina e alumínio): ela dará um salto no pólo siderúrgico. Passará por sobre o ferro gusa (do qual tem uma fábrica em Marabá) e a placa de aço (cujo projeto, gravitando entre o Maranhão e o Pará, jamais chegou a definir) e entrará diretamente na laminação do aço.

Ao invés de embarcar peças brutas em navios para serem reelaboradas no país do comprador, a Vale poderá oferecer chapas de aço aos que se dispuserem a se instalar em torno de Marabá para produzir dormentes, tubulação, estrutura metálica ou, quem sabe, até vagões ferroviários, dos quais a própria empresa é grande compradora, tanto internamente quanto no exterior.

Mas ela não esperará pelo aparecimento de possíveis sócios para iniciar a nova usina. Essa era a sua regra de ouro em qualquer coisa que não fosse a mineração. Alegava que não podia avançar na cadeia produtiva para não entrar em conflito de interesses com os compradores do seu minério, que fazem o beneficiamento da matéria prima. Por enquanto, a Vale será a única proprietária da Aços Laminados do Pará, a razão social da nova empresa. Por isso mesmo, avançará com cautela. Dos US$ 5 bilhões anunciados, só US$ 3,3 bilhões serão aplicados inicialmente, para produzir 2,5 milhões de toneladas. A duplicação da produção, com mais US$ 1,7 bilhão de aplicação, dependerá de haver parceiro e mercado.

É claro que o ingresso de novos investidores terá de seguir as regras que a Vale estabelecer. Ela é a dona exclusiva do minério, tem a maior fábrica de gusa da região e fechará o primeiro círculo do beneficiamento com o aço. Assim, afastará os grandes concorrentes da mais importante mina de ferro do mundo. Talvez para que suas palavras ecoem mais longe do que no auditório paraense, Roger Agnelli usou uma metáfora nada sutil: que o dinheiro que sua empresa aplicará nos próximos cinco anos tem o tamanho de uma RTZ.

A multinacional anglo-australiana quer expandir sua presença no setor e começou a desenvolver um projeto de bauxita de US$ 2,2 bilhões em Monte Alegre. É esse também o intento de outra das grandes, a Anglo American, que usou Eike Batista como ponte para se estabelecer no Amapá. A Anglo, que cometeu um erro ao se ausentar de Carajás vendendo sua parte na Salobo (ver Jornal Pessoal 423), desenvolve um novo projeto na jazida de níquel do Jacaré, localizada a noroeste do Onça-Puma, que deverá ser a primeira a produzir.

Os altos preços alcançados pelas commodities minerais atiçaram os planos de expansão de todas as mineradoras, que entraram numa competição furiosa. Mas agora elas deverão começar a experimentar a descida dos valores para patamares mais ajustados às séries históricas. Podem continuar relativamente acima da média, mas não tanto como nos cinco últimos anos, durante os quais a fome da China desequilibrou todas as previsões. A própria Vale já experimentou os efeitos dessa tendência. Seu lucro líquido no primeiro semestre continuou recorde, mas a tendência não é mais para o alto.

Qual a alternativa então? Produzir em quantidades ainda maiores para manter o fluxo de caixa. Carajás, que já bateu na marca de 100 milhões de toneladas de ferro, é o exemplo mais visível. Mas os convidados para a festa de Barcarena testemunharam outra façanha: em pouco mais de 10 anos a Alunorte quase quadruplicou a sua produção de alumina (insumo para o metal de alumínio), passando de 1,6 milhão de toneladas em 1995 para 6,3 milhões com a inauguração da sua terceira expansão, no dia 14, que confirmou a sua posição de a maior refinadora do mundo.

Não só a Alunorte pode continuar a crescer em alumina: Agnelli confirmou no ato mais uma associação com a norueguesa Norsk Hydro, que já atua com a Vale em bauxita no Trombetas e na própria Alunorte. Será para uma nova usina em Barcarena, a ABN (Alumina Brasil Noruega), que ultrapassará a escala de sete milhões de toneladas. No momento em que a nova planta for concluída, Alunorte e ABN serão responsáveis por quase 30% da alumina do mercado internacional.

O cobre, o segundo produto mais eletrointensivo depois do alumínio, segue no mesmo ritmo. As cinco minas de Carajás (Sossego, que já funciona, Salobo, em obras civis para começar a produzir em 2010, Alemão, 118 e Cristalino) poderão praticamente dobrar a previsão de produção para 2012. Ela era de 592 mil toneladas e poderá chegar a um milhão de toneladas.

Essa voragem expansionista não tem fim? Nem tanto, ao que parece. Agnelli também comunicou, uma semana antes, que a Vale deverá sobrestar a implantação da fábrica de níquel do Vermelho, em Canaã dos Carajás, com investimento de US$ 1,5 bilhão. Alegou que a queda do preço do níquel (para US$ 18 mil a tonelada), depois de bater no pico de preço de todos os tempos, em US$ 55 mil a tonelada, recomenda a retração. Mas se queixou também de que a secretaria estadual de meio ambiente analisa o licenciamento ambiental há três anos sem uma conclusão, prejudicando os negócios. Por isso, a empresa manterá apenas o projeto de níquel do Onça-Puma, que deverá começar a funcionar no primeiro trimestre próximo ano, e talvez outro empreendimento menor, no Piauí.

A questão é mais complexa do que parece. Há um problema tecnológico e comercial com o minério do Vermelho. Ele é oxidado e não garnierítico, como os demais, que entram na produção do ferro-níquel. Será necessário criar uma nova tecnologia para o seu aproveitamento, como aconteceu com o cobre de Salobo (contaminado por flúor e muito duro). Além de onerar os custos, essa característica limita os compradores potenciais. No Brasil, só há um cliente desse níquel para aços oxidados. O grosso da produção terá que ser exportado.

Mas não só por isso. A Vale herdou da Inco, a empresa canadense que adquiriu em 2005 e que é a segunda do setor e tem as maiores jazidas do mundo, um projeto do mesmo porte em Goro, na Nova Caledônia, no Pacífico Sul, também de níquel garnierítico, que deverá entrar em operação até o fim do ano. Já em sua configuração de multinacional, a Vale parece mais empenhada no negócio do exterior do que no Pará. Conseqüência da vontade da empresa brasileira ou resultado da preponderância da corporação canadense?

A Vale arma suas decisões e opções nesse quadro maior de interesses que atravessam os continentes. Já o Pará, que vai se consolidando como a principal base física das riquezas exploradas pela companhia, não consegue nem formular uma estratégia para acompanhar a Vale nos limites do território estadual. Enquanto entrega ao presidente e à governadora o projeto da aciaria de Marabá, como uma resposta às pressões dos dois homens públicos em favor de maior grau de beneficiamento das matérias primas locais, a Vale pressiona para a liberação de obras de infra-estrutura - suas e do próprio governo - que estão associadas aos seus negócios.

A usina de aço só se viabilizará se houver um novo porto em Vila do Conde para receber o coque oriundo do exterior. Para chegar à planta industrial, o coque precisará da hidrovia do Tocantins, que só se tornará operacional com as eclusas de Tucuruí e o derrocamento entre Tucuruí e Marabá. O custo desses serviços para a União, de 600 milhões de reais, era considerado inaceitável até aparecer o interesse da Vale. Enquanto era "apenas" para desenvolver a região, não sensibilizou os tecnoburocratas de Brasília.

Não só isso: a aciaria precisará de energia, que já não há em disponibilidade na usina de Tucuruí. Logo, a Vale terá que construir sua térmica de Barcarena para 600 megawats (o que daria para abastecer de energia todo Pará, excluída a Albrás) e usar o carvão mineral importado. Ou seja: o governo precisa fazer sua parte para enfrentar e superar todas as resistências provocadas por esse tipo de empreendimento, muito criticado pela poluição que acarreta.

Esse planejamento está dando certo. No primeiro semestre a receita de exportação do Pará foi de US$ 4,5 bilhões, graças aos minérios e seus derivados, que respondem por mais de 85% do total da pauta. O saldo de divisas proporcionado pelo Pará, de US$ 4 bilhões, foi o segundo maior do Brasil, superado apenas por Minas Gerais. Mas o Pará é apenas o 22º da federação (que possui 27 unidades) em desenvolvimento municipal, segundo o índice Firjan (da Federação da Indústria do Rio de Janeiro). Belém, o primeiro município do Estado em IFDM, é o 521º no ranking nacional. Barcarena, onde estão a Alunorte e a Albrás, é o 2º no Estado e o 646º no país. Canaã dos Carajás, o município mineral que mais prosperou nos últimos tempos, é o 3º no Pará e o 1.113º no Brasil. O município mais pobre do Pará, Bagre, só está à frente de outros 16 no total de 5.564 municípios brasileiros.

Essa realidade, para a qual a Companhia Vale do Rio Doce contribui decisivamente, como a maior empresa do Estado, com capacidade de investimento muito maior do que a do próprio Estado, poderá ser modificada a partir de agora pela nova postura que a Vale anuncia? Esta é a questão, que cabe aos paraenses formular e responder.

Não é à toa que em solenidades como a do dia 14 há uma torrente de números, declarações e promessas. É uma grandeza que confunde e anestesia o público, desacostumado a destrinchar tantos nós atados na teia dos discursos ufanistas. E é assim que a caravana da exploração das riquezas do Pará passa. E depois que ela passar, o que ficará?


* Jornalista

O clamor pela Conferência de Comunicação

Altamiro Borges *

Fonte - Adital
Diante da encarniçada resistência de setores do governo Lula em realizar a almejada Conferência Nacional de Comunicação, os arrojados baianos decidiram "chutar o pau da barraca". De 14 a 16 de agosto, em Salvador, cerca de 400 delegados eleitos e observadores de várias partes do estado realizaram a 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia. Como afirma Maurício Thuswohl, da Agencia Carta Maior, o evento "já faz parte da história da luta pela democratização da mídia no Brasil" e serviu de forte impulso para dobrar as relutâncias no interior do governo federal.
A "Carta da Bahia", aprovada na ocasião, apresenta várias propostas para democratizar os meios de comunicação e será encaminhada ao presidente Lula. "Sem a prática da livre produção social de conteúdo nas escolas, portais da internet, salas virtuais, jornais, revistas, cinemas, rádios e televisões, isto é, sem a democracia na comunicação, não nos produziremos como seres sociais políticos - cidadãos e cidadãs - capazes de pensar coletivamente e dialogar com os nossos representantes nas esferas e instâncias do Estado brasileiro", adverte o documento.


Monopólios de minorias privilegiadas

Numa perspectiva emancipadora, a Carta da Bahia também faz duras críticas à ditadura midiática no país. "Se nos for garantido o direito à comunicação, iremos assim quebrando paulatinamente os monopólios de minorias privilegiadas sobre os meios de comunicação de massa e combatendo os impérios oligárquicos regionais vinculados à propriedade privada sobre a terra e os meios de produção". Como parte deste esforço pela ampliação da democracia, na qual a democratização da mídia é parte indispensável, os participantes aprovaram por consenso a urgência da realização da Conferência Nacional de Comunicação, com etapas prévias em todos os estados brasileiros.

Ficou patente que só com muita pressão social e articulação política esse objetivo será alcançado. Afinal, as nove famílias que controlam mais de 80% dos meios de comunicação no país não irão abrir mão do seu monstruoso poder. "Com muito dinheiro, influência no Congresso Nacional e no Judiciário e donas de um poder de penetração no imaginário nacional capaz de fazer e destruir reputações (e governos) em poucos dias, essas empresas, ao menos por enquanto, encontram-se imunes às transformações democráticas que ocorrem no país", diz Thuswohl. Elas não aceitam "efetuar qualquer mudança nas atuais regras do jogo, dos quais são beneficiárias históricas".

"Questão de correlação de forças"

A derrota da ditadura midiática, como revelou o jornalista Carlos Tibúrcio, assessor especial da Presidência da República, depende da pressão social. Não será enfrentada pelo governo Lula. "É uma questão de correlação de forças. Enfrentar essa batalha depende de ousadia, como aqui da Bahia, mas depende, sobretudo, do acúmulo de forças", alegou. Neste sentido, o encontro baiano, assim como a petição que já circula exigindo a conferência nacional e o recente Fórum de Mídia Livre, são passos decisivos na luta contra a mídia hegemônica e seus agentes no governo. Serve de reforço aos que têm coragem e de alerta aos que se intimidam diante da oligarquia midiática.

O encontro baiano comprovou que é plenamente possível realizar uma conferência nacional, que respeite a diversidade de opiniões e atores sociais e aponte os caminhos para maior pluralidade informativa no país. Neste sentido, o governo da Bahia deu uma lição a Brasília, realizando uma parceria respeitosa com os movimentos sociais engajados na luta pela democratização da mídia. Para Robinson Almeida, secretário de comunicação de Jacques Wagner, "os historiadores, no futuro, irão registrar o que aconteceu no estado em agosto de 2008". Sem dúvida, a conferência baiana ajudou a quebrar o tabu de que a mídia hegemônica é intocável e está acima da sociedade.


* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil

Maiores de 65 anos e as mulheres possuem maior mortalidade por tabagismo passivo


Fonte - Adital
Em meio às atividades do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado no dia 29 de agosto, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou o estudo "Mortalidade atribuível ao tabagismo passivo na população brasileira". Por meio desse estudo, o Instituto chama a atenção para a quantidade de mortes causadas pela exposição passiva à fumaça do tabaco: a cada dia, pelo menos sete brasileiros morrem por doenças provocadas por essa exposição.
Os pesquisadores do INCA e do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) constataram que, pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano no Brasil por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. As mulheres constituem a maior parte desses óbitos (60,3%).

20 de agosto de 2008

Situação de Raposa Serra do Sol poderá ser decidida ainda este mês

Fonte - Adital
O anúncio de que o Supremo Tribunal Federal-STF deverá julgar, ainda este mês, a ação impetrada pelo Governo do Estado de Roraima contra a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol está mobilizando indígenas e seus aliados. A situação é preocupante, de acordo com a Coordenação do Conselho Indigenista Missionário - Cimi, Regional Norte I, que abrange os estados do Amazonas e Roraima.
Na entrevista a seguir, a coordenadora, Edina Pitarelli, expõe o posicionamento da entidade em relação ao tema. Ela trabalhou em Roraima, de 2000 até o início deste ano.

Adital - Que conseqüências os arrozeiros trazem para as comunidades indígenas da RSS?

Edina Pitarelli - Eles são uma ameaça permanente às comunidades indígenas. Afrontam, intimidam, queimam casas, ferem os indígenas à bala e com bombas de fabricação caseira. Além disso, se apropriaram de uma área extremamente importante que são as beiras dos rios Surumu e Tacutu, onde praticam todo tipo de crimes ambientais. Os rios são fontes de vida para as comunidades. Deles tiram o peixe e nas suas beiras se localizam as únicas terras da Raposa Serra do Sol aptas para o plantio de alimentos. Com a presença dos arrozeiros não existe paz possível nas aldeias. Sua permanência significaria a reprodução da violência e a inviabilização da produção de alimentos em regiões importantes, considerando que a população indígena na área está crescendo 4% ao ano. Hoje, 50,02% da população da RSS têm menos de 14 anos de idade. Nesse sentido comprometeria a reprodução física e cultural dos povos indígenas de que fala o artigo 231 da Constituição Federal.

Adital - Um dos argumentos usados contra a demarcação integral da RSS é de que é muita terra para poucos índios.

Edina Pitarelli - Nunca é demais repetir que as organizações sociais dos povos indígenas são reconhecidas pelo Estado Brasileiro, que a União tem a obrigação de protegê-las. Esse direito foi uma das grandes conquistas constitucionais dos povos indígenas, até então considerados como categorias transitórias, condenados à extinção. Para que esse direito possa ser exercido é necessário que a declaração dos limites das terras indígenas se dê de acordo com o significado, a forma de utilização e a necessidade futura desses povos. Caso contrário, se estaria atentando contra a sua existência, contra suas identidades. No caso da RSS, é importante nos darmos conta que se trata do direito de 5 povos indígenas (Macuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepang e Patamona), 194 comunidades com uma população de 19 mil pessoa. Ainda que não se levasse em conta esses princípios, com a demarcação integral da RSS, que tem 1.700.000 ha e ocupa 7,7% de Roraima se garante terra a 21/% da população rural desse estado.

Adital - Onde então está o problema?

Edina Pitarelli - Raposa Serra do Sol deixa de estar disponível para o mercado capitalista, que tem como um dos seus pilares a propriedade privada. Já não pode ser comprada ou vendida. Deixou de ser mercadoria e objeto para a realização de lucro. Ela se contrapõe, por isso, à poderosas forças econômicas que tentam de todas as formas, desqualificar a luta dos povos indígenas e daqueles que os apóiam. Os setores do agronegócio e da mineração buscam de forma imediata, liberdade da ação na região. Para alcançar os seus objetivos traçaram cuidadosamente uma estratégia para confundir a opinião pública sobre os reais interesses em jogo.

Adital - O que sustenta as estratégias deles?

Edina Pitarelli - Pelo menos três argumentos são os mais utilizados: que a RSS, por se localizar na região de fronteira, significa um risco à soberania do país; que ela inviabiliza o desenvolvimento do estado de Roraima; e que com a sua demarcação os índios ficariam isolados. O fato de estar em área de fronteira em nada ameaça a soberania do país. Graças aos indígenas a fronteira brasileira foi preservada. Dizer, também, que inviabiliza o desenvolvimento é outra mentira. Os indígenas são uns dos maiores criadores de gado da região, com um rebanho de mais de 36 mil cabeças. Além disso, eles têm produção de suínos, aves e plantações de várias espécies.

Adital - Outro argumento bastante difundido pelos meios de comunicação de Roraima é de que somente o CIR quer a demarcação em área contínua. Como as outras organizações se manifestam?

Edina Pitarelli - Isso não é verdade. Desde que os indígenas passaram a lutar pela demarcação da terra, há mais de 30 anos, os seus opositores usaram de vários artifícios. Como não conseguiram parar a luta por meio da violência, passaram a divulgar mentiras e procuraram dividir a organização. Políticos, empresários, fazendeiros, militares e outros jogavam índios contra índios. Algumas organizações foram criadas com apoio destes grupos para contestar a luta pela área contínua. Mas, depois da demarcação, em 1998, e da homologação, em 2005, a maioria dos contras aderiu à proposta defendida pelo CIR.

Adital - Em Roraima, os meios de comunicação influenciam muito contra os direitos indígenas. Como o Cimi Norte I analisa essa situação?

Edina Pitarelli - Com muita preocupação. Os meios de comunicação deveriam estar a serviço de todos os segmentos, dando espaço para todos de forma isenta e imparcial. Não é isso o que acontece. Há vários anos, os grandes jornais, rádios e televisões têm sido usados para atacar os indígenas e seus aliados, alimentando, assim, o preconceito e o racismo. Houve uma ocasião em que um sujeito, em um programa de rádio, colocou-se à disposição para matar o bispo emérito de Roraima, Dom Aldo Mongiano. Muitas outras mentiras e calúnias têm sido divulgadas contra os índios e contra a Igreja Católica, que tem sido importante aliada na defesa dos direitos desses povos. Nos casos recentes, os meios de comunicação têm procurado mostrar que os índios agridem os fazendeiros, que são invasores de terra, quando, na verdade, a situação é inversa. No dia 05 de maio passado, dez indígenas foram feridos à bala e bombas caseiras e os meios de comunicação e políticos diziam que os índios tinham atacado os rizicultores. Só depois que uma grande tv divulgou as imagens do ataque é que a verdade veio à tona.

Adital - A decisão do STF pode afetar outras terras indígenas, caso seja contrária à homologação?

Edina Pitarelli - O Supremo vai analisar um processo de uma área que passou por todos os trâmites legais para que se consolidasse como terra indígena. Isso pode despertar interesse de outros grupos econômicos em Roraima e até em outros estados. É um precedente perigoso num momento em que os grupos anti-indígenas parecem ganhar força no cenário nacional. Mas nós não perdemos as esperanças. Acreditamos na imparcialidade da Justiça brasileira e, sobretudo, na mobilização dos indígenas da terra Raposa Serra do Sol que produziu frutos significativos em mais de 30 anos de lutas.

Entrevista por J. Rosha para Adital

Campanha Ficha Limpa ganha força pelo Brasil

Fonte - Adital
O Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) realizará a 1º Mobilização Nacional em busca de mais assinaturas para o envio do Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a Vida Pregressa dos Candidatos. O ato será realizado de 1 a 7 de setembro, durante a Semana da Pátria. A manifestação faz parte da Campanha Ficha Limpa.
Serão instalados nos estados e municípios brasileiros pontos de coletas de assinatura durante toda a semana. Mas de 110 mil assinaturas foram coletadas em apenas três meses de campanha em 22 estados brasileiros e o Distrito Federal. Para o envio do Projeto de Lei o Movimento precisa de 1% do eleitorado brasileiro, isso equivale a um milhão e trezentas mil assinaturas.

Ao todo são mais de 200 "Comitês 9840" já instalados pelo MCCE no Brasil. Estes comitês são responsáveis pelo esclarecimento do Plano de Lei e pela coleta de assinaturas. O objetivo do Projeto de Lei é alterar a Lei de Inelegibilidades tornando inelegíveis os políticos que tenham renunciado para fugir de cassações e políticos condenados em primeira instância por crimes graves.

Mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que liberou a disputa eleitoral para pessoas que respondem processos, a Campanha Ficha Suja prosseguiu com suas ações e objetivos. Segundo pesquisa divulgada pela AMB/VOX Populi, 88% da sociedade brasileira não aceitam candidatos que são condenados em primeira instância.

Para acompanhar o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral acesse o site http://www.mcce.org.br.

12 de agosto de 2008

Diocese de Imperatriz adia sorteio de motos

Por Josafá Ramalho

A Diocese de Imperatriz adiou para o dia 20, próxima quarta-feira, o sorteio da promoção que está fazendo para arrecadar recursos para reformar o auditório do Centro Anajás, no bairro Bom Jesus.
O anúncio foi ontem, 12, pelo bispo Dom Gilberto Pastana e pelo padre Valdecir Martins durante entrevista a imprensa.

Hoje, 13, pelo sorteio da Loteria Federal a diocese iria sortear 04 motos suzuki. As cartelas da rifa estão sendo vendidas nas paróquias há pelos menos dois meses, mas o clero que ainda sente muito a morte de Dom Affonso Grégory, decidiu adiar.
-“ Ainda estamos chocados com tudo o que aconteceu. Não há como fazermos isso agora”- disse Valdecir Martins, numa referencia ao momento de pesar que a igreja vive.

Dom Gilberto pediu o empenho dos padres e dos leigos para que o sorteio alcance o objetivo, e informou que em cada paróquia da diocese os cupons estarão a venda até o final da tarde do dia 19.

O cupom para a rifa da diocese custa R$ 2,00 e a pessoa concorre a 04 motos zero km.